Grandparents spending joyful moments with their grandchildren in an outdoor setting, captured candidly.

O Nó na Garganta Cresce com a Gente? Como a ansiedade se manifesta ao longo da vida


A ansiedade é uma experiência bastante comum no dia a dia mas nem sempre é fácil de compreender. Aparece como um aperto no peito, inquietação constante, dificuldades para dormir ou pensamentos que não param. Outras vezes se disfarça de irritação, cansaço, fobias ou até dores físicas sem explicação. Mas afinal o que é essa tal ansiedade? E por que ela nos acompanha em tantos momentos?
A psicanálise entende a ansiedade, também nomeada de angústia, como uma resposta frente a situações vividas como ameaçadoras não apenas como um problema a ser eliminado, mas como um sinal do nosso mundo interno, um alerta de que algo em nós está pedindo atenção. Ela é parente do medo mas diferentemente deste, onde o objeto que nos causa desconforto é claro, a ansiedade aparece mais como uma preocupação difusa duradoura, uma sensação de apreensão frente ao futuro.


Infância: quando tudo começa. A angústia aparece já nos primeiros anos de vida. O bebê nasce em total dependência de um outro ser humano, que cuide, alimente e interprete seus sinais. Quando sente fome, dor ou solidão, ele ainda não sabe o que está acontecendo, só sabe que algo está errado. É justamente essa sensação de “estar à mercê” do mundo que pode gerar os primeiros sinais de ansiedade. Ao longo do tempo, a criança começa a entender que o mundo é feito de presenças e ausências, de esperas e de frustrações. Quando a mãe ou o cuidador se afasta, por exemplo, pode surgir o medo de ser abandonado. Essa experiência, tão comum, já é uma forma de ansiedade. Lacan, psicanalista francês, diz que a criança vive se perguntando, mesmo sem saber: “O que o outro quer de mim?” — e essa dúvida pode gerar insegurança, medo e angústia.


Adolescência: o corpo muda, o mundo exige. Na adolescência tudo parece intenso: o corpo muda, as emoções explodem e as dúvidas aumentam. Quem sou eu? O que esperam de mim? O que eu quero? Essa fase é marcada por um confronto entre o próprio desejo e as exigências do mundo. Muitos adolescentes sentem ansiedade sem saber exatamente por quê. Podem surgir sintomas como pânico, dificuldade para se concentrar, compulsões, crises de identidade.
A psicanálise vê isso como parte de um processo de mudança, mas que pode ser muito sofrido. É o momento em que o jovem precisa se afastar um pouco dos pais para encontrar seu próprio caminho e isso pode gerar medo e insegurança.


Vida adulta: entre desejos e responsabilidades. Nesta fase a ansiedade pode se manifestar de várias formas: medo de falhar, cobrança constante, sensação de estar sobrecarregado, dificuldade de tomar decisões. Muitas vezes, tentamos dar conta de tudo: trabalho, família, vida afetiva, aparência, produtividade.
Freud falava que a ansiedade surge quando há um conflito entre o que desejamos e o que achamos que devemos fazer. Às vezes, nos sentimos obrigados a seguir um modelo ideal e quando não conseguimos, o sentimento de fracasso aparece.
Lacan complementa dizendo que a ansiedade também surge quando ficamos muito perto daquilo que não conseguimos nomear: algo que nos escapa, mas que está lá, nos incomodando. Por isso, em muitos casos, não conseguimos explicar o motivo da ansiedade, só sentimos sua presença.


Maturidade e velhice: o tempo deixa suas marcas. O passar do tempo traz mudanças no corpo, nas relações e nos papéis sociais. A aposentadoria pode gerar a sensação de “perder o lugar no mundo”. A morte de pessoas queridas pode despertar medos e inseguranças. Envelhecer também pode ser uma chance de simbolizar perdas, revisitar desejos antigos e reescrever a própria narrativa. O convite da análise é olhar para essas mudanças como oportunidades de revisar a própria história e de encontrar novas formas de viver o desejo, mesmo com as perdas.


Quando procurar ajuda? Se a ansiedade começa a limitar a vida, afetar os relacionamentos ou causar sofrimento constante, é importante buscar cuidado.
A psicanálise oferece um espaço de escuta, onde o sintoma não é tratado como inimigo, mas como mensagem. Escutar o que a ansiedade tem a dizer pode abrir caminho para mudanças, descobertas e mais liberdade subjetiva.

Até mais!

Psicóloga e psicanalista Andrea Torres – CRP 06/47540-1

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